Arrancou o “Correntes 20”

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu, esta manhã, à Sessão Oficial de Abertura do 20º Correntes d’Escritas, no Casino da Póvoa, que contou também com a presença do Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.

O Presidente da República Portuguesa começou por definir o dia de hoje como “muito feliz” por estar presente na abertura do evento literário na companhia “do Presidente, mas também poeta, mas também ensaísta, mas também ficcionista, Jorge Carlos Fonseca”, assistir à sua Conferência e ao Lançamento do seu livro.

Marcelo Rebelo de Sousa centrou o seu discurso em três ideias essenciais: “memória, gratidão e recriação no futuro”. A memória reporta-se às três outras vezes em que participou no Correntes d’Escritas (2004/ 2008 e 2017) a que se referiu como “inesquecível experiência de encontro fraternal e caloroso”. Quanto à gratidão, começou por atribuí-la à “Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e aos seus visionários e pertinazes Presidentes”, aos Vereadores, ao Casino da Póvoa, “a todos os que põem de pé estas Correntes d’Escritas”, dando especial destaque a “uma verdadeira força da natureza”, a Manuela Ribeiro, acrescentando a intenção de “traduzir em reconhecimento da República Portuguesa esta minha gratidão, que será feita no Palácio de Belém”. O Professor estendeu a sua gratidão àqueles que escrevem, esclarecendo que é, ao mesmo tempo, um convite a um “combate, hoje mais do que nunca, necessário, pelos livros e pela sua difusão”, adiantando que “enquanto Belém puder contar com a minha vontade, não faltará a festa do livro”. A propósito da recriação no futuro, transmitiu que “o que deve permanecer é óbvio: o espírito deste encontro, o espírito da própria essência da convergência de tantas e de tantos, o espírito da escrita e da escrita em correntes”. Em relação ao que é preciso mudar, transmitiu que “é preciso mudar na concretização e na diversificação, mudar na abertura a novas áreas, a outras expressões criativas já introduzidas, mas pedindo ainda maior desenvoltura, na preocupação com novos públicos e públicos mais novos”, entre outros.

O Presidente da República Portuguesa concluiu enunciando que “cá estaremos um sem número, ano após ano, para atestarmos que viver é criar e alimentar correntes humanas e que escrever é viver, viver várias vezes tantas quantas as da saga de quem escreve e tantas quantas as da saga de quem lê, de quem ouve, de quem vê, e são incontáveis… Em nome dos portugueses, vos agradeço porque é também da escrita que se faz todos os dias o nosso grande Portugal”.

O Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, referiu-se à “crise da palavra” que “gera a crise da confiança” e “a confiança tem, hoje mais do que nunca, considerável importância económica”, acrescentando que “a confiança deu lugar ao medo, quando não ao desespero”.

Neste sentido, o edil transmitiu que “é hoje, a missão mais urgente de quantos, na política e na literatura, fazem da palavra a grande arma de promoção do diálogo, ao serviço da paz e do desenvolvimento.

Aqui, na Póvoa de Varzim, estamos nesta luta, através do Correntes d’Escritas, há 20 anos. Porque o português e o castelhano (as duas literaturas que aqui se reúnem) foram não só as línguas da primeira globalização (e, portanto, promotoras do desenvolvimento), como são hoje as maiores línguas globais, no seio da União Europeia. É que, com a saída anunciada do Reino Unido, a língua inglesa vai certamente perder o estatuto de língua de trabalho nas instituições europeias – e esta circunstância deve merecer a melhor atenção dos nossos responsáveis políticos, pois constitui uma rara oportunidade de promoção internacional da nossa língua.

Mais que presença de portugueses em posições relevantes da vida política e cultural internacional, onde se exprimem em inglês, impõe-se que a língua portuguesa seja promovida na Europa e no mundo, não porque foi a língua da primeira globalização (ou seja, do passado), mas como língua da tecnologia e da robótica, ao serviço da revolução industrial em curso. Portugal tem, pelo menos, o dever de ambicionar para a língua portuguesa um estatuto internacional condizente com a sua importância demográfica e económica, bem como com a importância do posicionamento estratégico dos países lusófonos no cenário da grande economia internacional”.

O Presidente da República de Cabo Verde felicitou “todos aqueles que sustentam o Correntes d’Escritas, provavelmente o maior evento literário de expressão ibérica”. Jorge Carlos Fonseca reconheceu que a grandeza de Cabo Verde se deve aos escritores e artistas portugueses e fez questão de saudar os presentes porque “são seguramente os únicos que têm a capacidade de tocar os céus e, com isso, salvar o mundo”.

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, reconheceu que “desde a sua génese, o Correntes d’Escritas tem dado voz à imensa diversidade das culturas, ultrapassando as fronteiras da geografia, dos idiomas, das condições socioeconómicas e dos géneros. Aqui, celebra-se a palavra contra o analfabetismo agressivo, aqui abre-se um espaço para ouvir os outros”.

Para Graça Fonseca, “num tempo em que tudo parece fugaz, 20 edições ininterruptas de Correntes d’Escritas é um feito que merece todos os elogios. Soube crescer em dimensão e projeção e, mais do que isso, soube honrar a tradição cultural da Póvoa de Varzim. Construiu-se assim um modelo que ao mesmo tempo soube revisitar o passado cultural deste concelho e serviu de exemplo e paradigma a uma forma de organizar festivais literários e encontros de escritores”.

Nesta Cerimónia de Abertura realizou-se também o lançamento da Revista Correntes d’Escritas 18 dedicada a Nélida Piñon, que referiu que, tal como tantos outros escritores presentes no evento, atravessou o Atlântico para abraçar a Póvoa de Varzim como filhos da cultura. Agradeceu o facto de lhe terem dedicado a Revista: “a essa brasileira que é uma Portugal profundamente e serve com paixão a língua portuguesa”.

O Presidente da administração do Casino da Póvoa, Dionísio Vinagre, revelou que o Casino da Póvoa apoia o Correntes d’Escritas desde a sua primeira edição e irá continuar a apoiar.

Quanto aos Concursos Literários, A Noite Imóvel, de Luís Quintais, é a obra vencedora do Prémio Literário Casino da Póvoa 2019, no valor de 20 mil euros.

O poema Renascer de Cláudia Alexandra Fernandes, que concorreu com o pseudónimo de Ema Norberto, foi o escolhido para o Prémio Literário Correntes d’Escritas Papelaria Locus.

Em relação ao Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas Porto Editora, receberam os prémios os autores dos seguintes trabalhos: primeiro lugar: “A Caixa”, do 4º A da Escola Básica José Manuel Durão Barroso, de Armamar; segundo lugar: “Bingo e Mingo”, do 4º D da EB Pde Manuel de Castro, de S. Mamede Infesta; terceiro lugar: “A Odisseia da Gotinha de Água”, da Escola Básica de Âncora. Foram ainda atribuídas as seguintes menções honrosas: Texto: “O Poema que quer nascer” do 4º B da Escola Básica José Manuel Durão Barroso, de Armamar; “O Palhinhas nos Caminhos de Santiago” da turma de 3º/4º anos da Escola Básica de Gamil, Barcelinhos e ainda “Snowman” do 4º B da Escola Básica/ Jardim-de-Infância Bela Vista3 de Fânzeres; Ilustração: “O Grande Salvamento” do 4º T da Escola Básica de Touria, Leiria; “Alerta Vermelho no Oceano” do 4º ano da Escola Básica de Rates”, Póvoa de Varzim e ainda “A Viagem das Disciplinas” do 4º A do Colégio Nossa Senhora da Esperança, Porto.

Ana Paula Mateus, da Póvoa de Varzim, que concorreu com o pseudónimo de “Clara Monjardim” foi a vencedora do Prémio Literário Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’Escritas 2019, no valor de 2000 euros, com o trabalho “Toda a Água que Nos Une”. O júri decidiu ainda atribuir menções honrosas aos seguintes trabalhos: “ODE A Póvoa de Varzim”, de Maria Isabel Pereira, com o pseudónimo “J. Rosa”, e “O «Mártele» São Sebastião e o Moço Poveiro”, da autoria de António Cunha e Sá, com o pseudónimo “Cidadão”.

(Fonte: CMPV)

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