Afinal governo recuou mesmo na decisão, afirmando que foi um erro a alteração feita à Urgência do Hospital da Póvoa de Varzim. Depois do protesto do presidente da Câmara, Aires Pereira, em Conferência de Imprensa, na sexta-feira, dia 20, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado onde se afirma que foi um “erro”, que “oportunamente será corrigido” e que a Urgência da Póvoa manter-se-á como médico-cirúrgica.
O “erro” foi, de facto, corrigido, esta terça-feira, dia 24, quando foi publicada no Diário da República a alteração do despacho do ministro da Saúde, Leal da Costa, que tinha desclassificado o serviço de urgência do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde.
“Pela primeira vez na minha vida política, vou interpor uma providência cautelar para suspender este despacho”, tinha afirmado Aires Pereira aos jornalistas, na sexta-feira, às 15h00. O autarca não aceitava o despacho do Ministério da Saúde que retirava às Urgências do centro hospitalar todas as especialidades, incluindo a maternidade.
Perante o despacho do novo ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, o presidente da Câmara, Aires Pereira, avançou com um protesto convocando a comunicação social para dar conta da ameaça de avançar para Tribunal para travar a redução de valências na Urgência do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Aires Pereira considerou, na altura, que um governo de gestão “não tem competência para decidir em matéria que não é urgente” e que a decisão do ministro da Saúde publicada no dia anterior em Diário da República “foi tomada à socapa e sem ouvir ninguém”. De acordo com esta decisão do ministro, a Urgência local passava de médico-cirúrgica para básica.
No mesmo dia, a conferência de imprensa surtiu efeito e o ministro Leal da Costa afirmava que tudo não passou de um “erro”.
O certo é que a Urgência do Hospital poveiro perderia, entre outras especialidades, a Maternidade, caso a decisão governamental fosse por diante. Esta especialidade há muito que vem sendo “cobiçada” por outros hospitais, tendo Aires Pereira esclarecido que o que aconteceria é que a Maternidade passaria para o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e que a medida do ministério da Saúde iria reduzir o nosso hospital a “pouco mais do que um Centro de Saúde”.
Já no tempo do ministro Paulo Macedo houve essa intenção, recordou o autarca, embora o governante tenha reconhecido que os 140 mil habitantes dos dois concelhos justificavam uma Urgência médico-cirúrgica.
Também Vila do Conde, Elisa Ferraz recebeu com estupefação o despacho e frisou que “a decisão de Leal da Costa é inaceitável e incompreensível”. A autarca tinha intenções de seguir os passos de Aires Pereira e interpor uma providência cautelar.
