Foi inaugurado esta tarde de 8 de dezembro – Dia da camisola poveira –, pelas 15h00, o Centro Interpretativo e de Formação da Camisola Poveira (CIFCP). O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, abriu o espaço à população e visitantes, referindo que é uma “casa aberta a todos que gostam da camisola”.
O CIFCP foi instalado no Centro Coordenador de Transportes da Póvoa de Varzim.
Depois da inauguração foram entregues os diplomas à “primeira fornada” de formandos que frequentaram o Curso de Formação para aprender a confecionar a camisola poveira. Realizou-se também a assinatura de um Protocolo entre o Município da Póvoa de Varzim e o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE).
A criação de uma associação que defenda o genuíno património dos portugueses, incluindo a camisola poveira, foi muito importante, salientou Aires Pereira. O autarca lembrou que é um recurso de apoio ao registo de Propriedade desta peça de artesanato, para que não haja mais usurpações de algo que é tão tradicional de uma comunidade.
O autarca deu mais um exemplo do ridículo deste tipo de situações com algo na ordem da atualidade: um empresário nortenho que registou o capote alentejano ou samarra como sua propriedade.
O registo da camisola está em curso, mas não tem como objetivo facilitar a comercialização a nível industrial, defendeu Aires Pereira, que considera que esta peça será sempre de artesanato e com um cariz muito ligado à comunidade e famílias poveiras.
Já por este motivo de não querer promover o lucro em torno da camisola poveira, Aires Pereira referiu que a Câmara da Póvoa resolveu aceitar o acordo extra-judicial que o Ministério da Cultura propôs após negociações com a norte-americana, que recentemente usurpou a peça e a comercializou como sendo sua e a promoveu como tendo origem mexicana.
Um dos aspetos resultantes deste acordo foi o reconhecimento da estilista de que a camisola era, de facto, originária da Póvoa de Varzim e não da sua autoria nem de qualquer outra origem.
Foto: Inaugurado Centro Interpretativo da Camisola Poveira onde figura um Tapete de Beiriz alusivo à camisola tradicional (Foto Angélica Santos)
