A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim publicou uma nota de pesar pela morte do escritor chileno Luis Sepúlveda.
No seu site autarquia poveira aproveita para deixar as entrevistas gravadas pela RTP e Norte Litoral Tv com o escritor agora desaparecido.
Aqui deixamos a publicação do site da CM Póvoa de Varzim:
Foi com enorme pesar que o Município da Póvoa de Varzim tomou conhecimento do falecimento do escritor chileno Luis Sepúlveda, esta quinta-feira, 16 de abril, no Hospital Universitário Central de Astúrias, em Oviedo, onde se encontrava internado desde 27 de fevereiro.
Antes de mais é importante enviar um abraço amigo e solidário à sua mulher, a também escritora Carmen Yáñez e à família.
Depois agradecer a sua amizade e o seu grande contributo, não só para a criação do Correntes d’ Escritas, de que foi um grande impulsionador, e reconhecer a importância da sua participação na primeira edição e seguintes.
Organizador do Salón del Libro Iberoamericano de Gijón no qual se inspirou o Correntes d’ Escritas e com o qual manteve uma parceria desde a sua primeira edição, Luís Sepúlveda foi um dos autores assíduos do Encontro de Escritores de Expressão Ibérica tendo participado em mais de 10 edições, foi sempre um dos escritores mais esperados e solicitados pelo público.
Autor de um dos romances mais lidos, O Velho que lia Romances de Amor, e da História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, as suas intervenções eram das mais aguardadas nas mesas redondas, nas escolas, nas sessões de autógrafos.
Luís Sepúlveda era também um dos escritores mais entrevistados pelos jornalistas.
Grande contador de histórias com muito para contar, memórias e experiências de uma vida de exilado, refugiado, preso político no Chile, vítima do regime de Pinochet, foi sobre a Liberdade a sua última intervenção pública ao participar, na 21ª. Edição do Correntes d’Escritas, na mesa “Era uma vez a Liberdade”. Definiu-a como “a suprema aspiração de um homem e a síntese perfeita de tudo o que se pode alcançar”, como “uma soma de direitos durissimamente conquistados”.
O ativista, refugiado e exilado, Luís Sepúlveda rapidamente captou a atenção da plateia do Cine-Teatro Garrett, recorrendo ao grande clássico de cinema norte-americano Spartacus, com Kirk Douglas no papel principal, para apresentar uma alegoria fortíssima à liberdade: “no final da película, o legionário pergunta aos escravos quem é afinal Spartacus e, um por um, todos dizem «eu sou Spartacus». Eles fazem-no reconhecendo que desta forma estariam a assinar a sua condenação à morte, mas dão esse passo necessário porque é o preço a pagar pela liberdade, ainda que não viessem a usufruir dela”.
