Vila do Conde: rede usou bancos para branquear milhões de origem criminosa

O alegado líder de uma rede de branqueamento de dinheiro ficou em prisão preventiva.
A rede usava sistema bancário nacional para operações de branqueamento. Foram arrestados seis imóveis, nove viaturas de alta gama e 74 contas bancárias.
A zona industrial de Varziela, em Vila do Conde, era o epicentro da actividade do líder da rede criminosa, que foi desmantelada pela PJ na quarta-feira. Sabe-se agora que o alegado líder da organização transnacional de branqueamento de capitais e de evasão fiscal, com epicentro na zona industrial da Varziela, em Vila do Conde, ficou em prisão preventiva.

Em comunicado, a PJ refere que “o cidadão estrangeiro ficou em prisão preventiva”, e quanto aos outros detidos na operação Cash-a-lot, um ficou sujeito à medida de coação de obrigação de permanência na habitação com vigilância eletrónica, tendo outros três saído em liberdade, mas com proibição de contactar entre si.

Num outro comunicado divulgado na semana passada, a PJ anunciara a detenção de sete pessoas e a constituição de 45 arguidos durante a operação, sublinhando que esta rede criminosa utilizava o sistema bancário nacional para sustentar o processo de branqueamento. O procedimento era “alicerçado na criação sucessiva de sociedades e contas bancárias tituladas pelas mesmas, por onde fluem as vantagens na sua maioria provenientes da prática do Trade Based Money Laundering (processo para disfarçar lucros de actividades ilícitas como se fossem fundos legítimos, utilizando transacções de comércio internacional para ocultar a origem do dinheiro)”, explicou a PJ.
“No espaço de 24 meses, a investigação apurou a existência de depósitos em numerário no montante superior a 141 milhões de euros, num total movimentado, através das “conta veículo” de 209 milhões de euros”, referiu esta força de investigação criminal.

No âmbito da operação Cash-a-lot, além de Vila do Conde, as autoridades realizaram buscas também nos municípios de Espinho, de Paredes, da Póvoa de Varzim, do Porto, de Valongo, em Vila Nova de Gaia e em Vila Franca de Xira.

A PJ deu cumprimento a 67 mandados de busca, pela presumível prática dos crimes de associação criminosa, branqueamento, fraude fiscal e falsificação de documentos, alegadamente “praticados por uma organização de carácter transnacional, controlada por cidadãos nacionais e estrangeiros”.

“No decurso da operação policial, foram alvo de arresto, em cumprimento de ordem judicial, através do Gabinete de Recuperação de Activos na PJ/Norte, seis imóveis urbanos, nove viaturas de alta gama, 74 contas bancárias controladas pelos suspeitos em território nacional e saldos de contas bancárias domiciliadas em 11 países europeus, num total de 67 contas bancárias”, informou ainda a PJ.

As autoridades apreenderam ainda cerca de 300 mil euros em numerário, documentação diversa relativa à prática dos factos, material informático, cartões bancários e de telecomunicações, documentação falsa e ainda armas de fogo.

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